Notícias de Cabo Frio. De janeiro a junho, 7.268 trabalhadores perderam os empregos em Cabo Frio. Destas milhares de histórias, uma delas é escrita todos os dias em uma movimentada rotatória da cidade. Elton de Oliveira, de 38 anos, casado e pai de dois filhos, achou papelão e sobra de tinta em casa como solução para a falta de dinheiro até para tirar cópias do currículo. No papel, um pedido de ajuda para quatro meses de desemprego: "Preciso trabalhar. Me ajude por favor". [Continua abaixo] 
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Esta quinta-feira (27/07) é o terceiro dia que Elton fica no local. O morador de uma comunidade, que diz saber fazer "de tudo um pouco", sai de casa cedo e volta no fim da tarde depois de muitos pedidos por vagas de emprego. 

"Sou roupeiro, mas trabalhei um pouquinho de tudo. Onde eu possa trabalhar dignamente e poder levar o sustento dignamente pra minha família, topo em qualquer lugar. A gente olha pra dispensa, não tem nada. Olha pros filhos pedindo biscoito. Infelizmente, você se vê em uma situação que você vê a mulher precisando de algo, de uma roupa, você não tem condição de dar, e o casamento vai começando a ter discussões... não tem emprego! Seu filho pede banana, maçã e você não tem condições de dar, é preciso fazer alguma coisa", declara, emocionado, Elton. [Continua abaixo] 
Elton tem dois filhos, de 17 e 4 anos, e saiu de Santo Antônio de Pádua, no Noroeste Fluminense, em 2008 depois de perder tudo em uma enchente e vender o terreno para "tentar a vida" na turística Cabo Frio. O emprego mais recente foi em uma pousada, de onde foi demitido em março. O filho adolescente também tenta uma oportunidade como jovem aprendiz. 

Ele faz parte dos 13 milhões de desempregados no país. Em Cabo Frio, 7.268 trabalhadores foram dispensados entre janeiro e junho de 2017. O saldo de vagas é negativo de 890 vagas no período. Em 2016, no mesmo período, foram demitidas 1.469 pessoas, e o saldo ficou positivo em 213, de acordo com o Ministério do Trabalho. 

Quando não está na rotatória, Elton percorre as ruas da cidade e recolhe móveis para vender em usinas de reciclagem. Estas são as formas que ele encontra para levar o sustento da família. No entanto, o que ele realmente deseja é ser um trabalhador formal. 

"Eu fico muito frustrado com essa situação, e às vezes dá vontade de desistir, mas eu olho pra trás e vejo o pequenininho não é, que é a razão do meu viver, e tiro a força pra prosseguir. Alguns passam aqui e dão uma palavra de incentivo, outros falam: 'Vai trabalhar, seu vagabundo', mas é trabalhar que eu quero. Eu fico na expectativa da carteira ser assinada, ter um emprego digno, poder levar o sustento pra dentro de casa, cumprir a obrigação de um pai, de chefe da familia", diz Elton. Foto: Fernanda Soares-G1/Fonte: G1


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